domingo, 28 de novembro de 2010

Sometimes

Postando coisas antigas a prazo...


terça-feira, 3 de março de 2009

Sometimes...

A vida é feita de "sometimes"...
É a esta conclusão que chego depois de tantas reflexões tiradas de conclusões infundadas e, acreditem, impensadas. Como? Cometendo erros.
Nem sempre um erro é um acerto futuro?
Aquela palavra presa que um dia explode e saí em forma de um ato impensado, poderá se tornar um acerto no futuro, porque ela, justamente ela, entra pelos ouvidos e fere como uma faca no peito, girando e rasgando sua pele, tocando seus órgãos, alcançando seu coração, fazendo-o sangrar até você... acordar pra vida, como quem desperta de um pesadelo com sede... de viver.
E aquele dia que você disse "sim", embora a razão te gritasse "nãoooo!!!", ele foi um erro que tornou-se um dos maiores acertos... Porque correr um risco, como mergulhar sem saber nadar, é o maior grito pela sobrevivência, é como se não houvesse outra saída, a não ser deixar de existir. Aquele "sim", foi seu suspiro de vida, mas foi um erro... E por causa dele você aprendeu a amar, um amor livre e a não temer sofrer de amor novamente.
E aquela vez que você deixou-se abater e perdeu, caiu ao chão e baixou o rosto enrubecido, aquela vez pode ter sido um erro, mas não, foi um grande acerto. Porque nestas horas aprendemos - eu e você - que o sorriso da humildade tem dentes transparentes... Que o abraço da caridade é quente. E que uma mão, quando somada a sua, traz a força de dois corpos. Não se perde quando se sofre, só quando nada se aprende. E cair nunca mais foi perigoso, sempre temos um abrigo dentro de nós mesmos: a nossa força, a nossa luta, o nosso sonho de amanhã... a esperança vestida de criança.
Por isso a vida é feita de "sometimes"... E de nenhum "forever", tão pouco de "nevers"
Porque transformamos as coisas, e lapidamos, até mesmo, nossa forma de errar.
Conseguimos deixar de amar sem morrer... Embora, acredite que o contrário seria impossível - pra mim.
E se o fizemos é porque, ao bem da verdade, esse amor não morre, ele renasce com outra cara...
Vocês acreditam que as flores morrem? Quem permitiria? Pra mim, elas, de tão lindas, conquistaram a liberdade de renascer tantas vezes, em tons mais fortes ou não, com odores mais suaves ou não... por muito tempo ou não.
Mas, poderá uma Rosa tornar-se Margarida? Não, ela pode vir branca ou vermelha, mas uma Rosa sempre isso o será...
E o amor, da mesma forma vive, sem deixar de ser amor, muda, apenas de cor...
Tudo isso porque a vida é feita de pequenos "sometimes", cada qual com seus erros...
Foi por culpa do espinho, ou da chuva que não caiu que a flor decidiu partir. E por esse erro ela pôde, novamente brotar.
Vamos renascer?
Pétala a pétala?
Nossos erros, agora são acertos futuros...
São, apenas, sometimes...
Errar, apenas, sometimes...

by trOiAnA22

domingo, 21 de novembro de 2010

De mais... De menos... Demais

Calma, isso não é aula de gramática, afinal, ainda é domingo e passei o final de semana longe das revisões de estilo e concordância. Aliás, analisei muito a semântica da minha vida e não sei se tem existido concordância entre o que penso, quero, assumo... faço... Culpa do estilo? Culpa do medo!
Mas, horas perdidas escrevendo sobre minha vida não é o que quero pra encerrar o dia.
Hoje eu quero sintetizar tudo o que tenho escutado acerca de relacionamento.
Eu que atualmente estou devorando meus 25 anos de vida - sendo que desses apenas 17 meses vivi de clausura relacional, ouvi muitos choros e desconsolos de minhas amiga(o)s (aqui a gramática machista não tem voz nem vez...) mais "namoradeira(o)s".
Os reclames são sempre os mesmos - inclusive os mesmos que os meus: coisas de mais, outras de menos. Isso oCORRE demais e, por oCORRER demasiadamente, leva consigo as chances que temos de ser feliz com alguém.
"Ela fala muito que me ama - de mais".
"Ele nunca diz que me ama - de menos".
"Ela leva a sério tudo o que falo - de mais".
"Ele não me leva a sério - de menos".
"A família dele vem sempre em primeiro lugar - de mais".
"A família dela não gosta de mim - de menos".
"Ele só joga futebol com os amigos - de mais".
"Ela não deixa eu sair com os amigos, mas vive às compras com as amigas - de menos".
Caberiam aqui infinitas frases semelhantes a essas.
Não é demais? Não, é demenos...
Sabe o que está de mais? O ciúme, a possessibilidade, as palavras erradas, o medo de assumir, o orgulho, as respostas não esperadas, a dúvida, a falta de amor próprio, a complexação de coisas simples, o medo de perder, o medo de sofrer, a carência, a dependência, o medo da solidão...
E de menos? A compreensão, o estender a mão, a voz amiga, a liberdade de partida, o desejo de que a paz seja mais que uma palavra clichê, a certeza, a capacidade de se entender literalmente num piscar de olhos, assumir-se o que se sente, simplicidade até mesmo nas coisas complexas...
E o resultado dessas faltas e sobras é o que venho assistido: pessoas se perdendo, amores se indo.
Fácil, pra quem está de fora, é julgar, apontar erros e falhas. Quando se é um dos lados que vacila, aí sim, é desesperador ser julgado, aconselhado e, mesmo assim, continuar cometendo os mesmos erros e falhas.
E o amor que era um punhado de areia, pego num dia de sol à beira-mar, vai se escapando entre os dedos daqueles que estão ocupados demais abrindo mão do que lhes fará muita falta em um dia de sol à beira-mar. Sentindo-se à beira do abismo, há de se pensar: "porque não o calei com o silêncio que um beijo requer?".
E o que resta? Dizer: "Foi demais, mas eu fui de menos"...
Devemos lutar contra os nossos medos enquanto ainda temos a chance de vencê-los. Mas, parece que apenas entendemos isso quando já fomos vencidos e finalmente encontramos a solidão que o medo de sentir-se só nos trouxe.
Para cada ação, uma reAÇÃO.
Agir enquanto há tempo.
E agora que sou um dos lados que erra, não quero ser julgada, nem aconselhada. Vou tentar lutar silenciosamente contra os meus medos, porque paz, pra mim, é sentir que, ao "seu" lado, qualquer lugar do mundo é o melhor e mais seguro.


Por indicação de @mariatti, ao som de Zero Assoluto - Appena prima di partire

PS: Aliás, ele está devendo um layout pro Blog, vou pagar a prazo, claro!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quando as coisas começam a mudar (?)

(ouvindo Cidadão Quem (?), mais precisamente Pinhal)

Eu já me fiz essa pergunta muitas vezes e suponho que vocês também: afinal, quando as coisas começam a mudar para que hoje elas estejam como estão?
Quando passei a amar o que faço e a odiar meu trabalho?
Quando deixei de procurar meus amigos antigos?
Quando passei a gostar dessa banda se a odiava?
Quando decidi o que iria ser quando crescer?
Quando me tornei um viciado?
Quando passei pra este lado?
Quando meus filhos deixaram de ser as crianças adoráveis que eram?
Quando passei a gostar de literatura, música, futebol, culinária?
Quando abandonei o esporte?
Quando tive a sorte... de mudar?
Temos as respostas para algumas dessas perguntas que nos fizemos, um dia exato ou um ano talvez, mas, para muitas delas, não há explicação.
"Tudo muda o tempo todo no mundo"
Como partes do todo, nós - e nossos sentimentos também - mudAMOs.
Quando se perde, pra vida, alguém que se ama, fica difícil viver e a gente passa, então, a sobreviver.
(pra morte, é uma dor insuperável!!)
E até entendemos por que o coração - órgão - é tão vinculado à imagem romântica do relacionamento, pois ele dói - mesmo! - como se estivesse sendo arrancado. Sofrendo ou não, calados seguimos, uns com orgulho demais pra voltar atrás, outros rastejando-se à poeira do que, um dia, foi um amor pra todo o sempre - não que nunca se deva acreditar nele.
Você deixa de acreditar no que todos dizem: "isso vai passar" e começa a acreditar que, na verdade, isso veio pra ficar.
Um dia, não sei quando, você acorda e o ar está menos pesado, a vida, lá de fora, te convida a retornar.
Pouco depois, não sei quanto, você está nos braços de alguém e percebe que sua vida, na verdade, estava "fora do ar" ou apenas mal sintonizada. Esse alguém pega o controle e tudo muda. Você não sabe ao certo quando isso aconteceu, mas tem certeza de que aconteceu.
Dias depois, não sei o tanto, "amor" vira nome, "vida" sobrenome e tudo volta a fazer sentido ao vivo e a cores.
Sabor de viver, verdade no sorrir, transparência no agir, seu espírito voltou ao corpo e sobreviver não é mais preciso, basta estar pronto pra desligar a TV e ir... sem partir.
Eu tenho uma tese - que, se comparada a sua, pode se tornar uma antítese - e entendê-la não têm sido fácil.
Não sou eu quem passo por isso é o isso que passa por mim.
Afinal, se me coubesse decidir, eu sairia pela porta da frente sem olhar pra trás.
Mas como não é bem assim que as coisas funcionam, o isso fica.
A única coisa que podemos fazer é não permitir que ele crie raízes mais profundas do que a dor que um amor pode causar. Assim, quando ele se cansar, arranca-as sem deixar muitas marcas e com o vento se vai... Assim o fez o meu... não sei quando isso aconteceu. Isso se perdeu.
O que quero dizer com isso - e não para o isso - é que estou pronta pra desligar a TV e me conectar a outro pronome que, embora tenha um nome, não sei desde quando - nem por quanto tempo - chamo de "amor".

Agradecida**

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

aNOniMATO

NEM MORDO!

É o que eu costumo dizer mesmo correndo o risco de ouvir que realmente parece que vou matar alguém.
Pois, cara feia, pra mim, é fome! Ainda que seja a minha.
O fato é que os que pouco me conhecem não conseguem entender como alguém que vive tentando "estrelar o papel principal" precisa dos seus momentos de anonimato. Mas, preciso e não abro mão disso; parecendo ou não bipolarIDADE, a verdade é que há momentos em que eu prefiro sequer respirar, temendo que a pessoa ao meu lado responda com uma longa respirada...
Eu gosto da melodia do silêncio, que musica a solidão: só assim consigo me ouvir. Assim como, no escuro, consigo me enxergar.
Poucos são também os que sabem que não faço certas coisas pra ser reconhecida por elas, simplesmente as faço pra não deixar de ser quem sou. E, nesse ponto, não falo apenas dos que pouco me conhecem, falo dos que, há anos, julgam minha maneira de ser; talvez porque apenas me conheçam, não me reconheçam em minhas atitudes.
Eu não sou a que dança feito retardada, que tira fotos ousadas, que escreve as coisas trancadas - em seu coração, libertando-as. Essas são apenas algumas das coisas que eu faço, não é o todo, é uma parte. Sendo esta a que mais me aproxima de mim mesma.
Enquanto uns pensam que quero aparecer, eu teimo em esconder os lados mais difíceis de mostrar. Não espero aplausos de coisas tão simples como aquelas.
Se não é possível lidar com minha simplicidade e vontades, é simples: deixe-me à vontade pra ser quem sou ao lado de quem suporta sem aplaudir, sem recriminar. Quem me aceita tanto sem espanto. Será que existe alguém assim? Conto com os dedos de uma das mãos do Lula.


Não sou marca registrada, apenas quero seguir registrando cada marca que a vida me permitir. No meu rótulo? "Agite antes de usar!". Ou quem sabe: "Beba com moderação!".

Mas, no fim, já que aprendi assim, vou concluir a ideia inicial pra não fugir do tema principal e i"r mal na redAÇÃO".

"Na minha", na sua, na dela ou na dele, ou na de todos, saibam que eu não mato nem mordo, apenas quero que meu desejo de ser livremente quem sou seja respeitado e tenha lá seus momentos de aNOniMATO.

Mas, liberdade é o assunto de um próximo post. Não sei qual, apenas posso dizer que será bem curtinho, porque liberdade não tem hora marcada e nem tempo e vontade de se explicar.

Para não parecer egocêntrica, poderia falar de assuntos mais gerais - tal como a INsensibilidade humana, cujos capítulos seriam compostos 99,9% de críticas aos homens - mas, geralmente, prefiro falar do que ainda está sem remédio, porque o resto deve remediado estar - só não sei como.

Enfim, minha redAÇÃO foi pro saco e eu? Pro salto, que a vida é uma festa pra ser dançada até o chão: cair é fácil, difícil é levantar sozinha.


*********

Alouuuu, anônimo! to no aNOniMATO! NEM MORDO!
*********
Quero agradecer às pessoas que têm vindo comentar o quanto minha escrita evoluiu, saibam que foi apenas com a escrita que isso ocorreu. hehehe

Não posso agradecer a visita dos que curiosamente tentam me julgar por aquilo que pareço ser. Vocês estão no capítulo dos remediados e não do outro lado.

By Troiana ou Milene, como preferirem.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Migalhas

Tenho tantas coisas pra postar, mas estou doente e não posso - nem quero - digitar nada. Vou, então, com essa letra maravilhosa de Erasmo Carlos, ela praticamente me traduz ou, talvez, apenas alguns momentos da minha vida. Voz de Simone, durmo com ou sem tranquilidade, porém, com a paz e silêncio que preciso ao acordar.

Sinto muito mas não vou medir palavras
Não se assuste com as verdades que eu disser
Quem não percebeu a dor do meu silêncio
Não conhece o coração de uma mulher
Eu não quero mais ser da sua vida
Nem um pouco do muito de um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas do seu amor
Do seu amor

Quem começa um caminho pelo fim
Perde a glória do aplauso na chegada
Como pode alguém querer cuidar de mim
Se de afeto esse alguém não entende nada
Eu não quero mais ser da sua vida
Nem um pouco do muito de um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas do seu amor
Do seu amor

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ex-periências amorosas

Beleza nunca foi meu forte e acredito que continua não "fondo".
Estilo e moda também não me favoreciam e o presente deste quesito imita o anterior.
Nunca me destaquei nos esportes e sempre fui a última a ser chamada a compor o time de qualquer coisa na escola. #a Milene não!!! Finalmente, um dia, alguém conseguiu entender que eu realmente não nasci pra coisa. Não gosto de jogar!! Talvez por medo de perder. Talvez por realmente não saber, enfim, não jogo. Nem cartas. Eu as guardo na manga pra quando precisar.
Meus cabelos, até hoje, apenas conseguiram alcançar a longa distância até meus ombros. São fracos e confusos. E eu, por vezes, também, não consigo alcançar distância alguma. Nem teus ombros. Afinal, meus 1,54 cm me permitem enxergar melhor a superfície e o céu fica para os inalCANÇÁVEIS.
O pior de tudo é ter certeza do que você é, do que você pode e, sobretudo, do que não pode. Eu me sabia assim, não via outra coisa no espelho.
Sendo eu, então, desprovida, de todos esses atributos e, pior, tendo certeza da falta deles, como poderia conquistar alguém?
Conquistando-me primeiramente?
E como uma menina dando início a sua carreira amorosa pode fazer isso? Se tudo o que ela sabe até um pouco além da adolescência - se não a vida inteiRa - é ser insegura.
Como as outras meninas agiram ou agem ou irão agir eu não sei, mas eu fiz assim:

1) Caso Lucas: Pelo o que lembro, meu primeiro amor foi na terceira série. Ele era muito bonito e achava o mesmo da minha melhor amiga Deza, ou seja, primeiro amor e primeiro não correspondido. Eu não a odiei por isso, sempre ligo no dia 04/03, aniversário dela, um dia até levei rosas pra ela. Ele tem uma "camioneta" e adora rachas de som e tudo sobre carros. Perfeito pra mim - sim pra eu rachar a cara dele.

2) Caso Elton: Esse, por incrível que pareça, descobriu-me. E eu ainda nem tinha dado o primeiro beijo. E foi dele, assim roubado. Ele era o mais cara de perfeito pra mim. Eu gostei muito dele e sempre pedia, na 102.9, Please forgive me, do Bryan Adams, “FORTES EMOÇÕES” (eu não sabia nada de inglês na época, nem minha professora, porque ela me disse que era “esqueça-me”, trocou pelo forget, sorry!). Minha prima se envolveu com ele também, não sei se antes ou depois - ou os dois - roubou ele de mim por um tempo (e ela vai ler isso). Hoje ela é minha melhor amiga, irmã, confidente, e sou madrinha do filho dela (meu lindo). Ele? Virou evangélico, continua plantando o fumo nas roças e tem alguns filhos que nem sei quantos. Perfeito pra mim - sim pra eu o trair com o pastor. PS: mas ainda me dói ouvir a música.

3) Caso Rafael: Isso foi na época em que eu andava com camisetas do grupo de jovens: Jesus te ama. Eu cantava na banda da igreja, fazia teatros na igreja, ia a retiros... Ele? Era um desconvertido que já tinha tocado na igreja até ser tocado dela. Era terceirão (uhhulll) e ele foi o mais otário de todos. Ficou com a outra menina da sala, ela ia pra Marinha, só ia mesmo. Rancor não guardei, dizem as más línguas que eles vivem em Portugal atualmente. Perfeito pra mim - sim pra eu nunca ir a Portugal.

4) Caso José: Foi me consolando dos maus bocados que o Rafa me fez passar, que o Zé me pegou e não foi mais possível o largar. Ele era problemático demais, eu simples demais. E o sorriso dele é algo que não quero esquecer nunca. Ele ficava com minhas amigas e elas também eram apaixonadas por ele. Ele roubou um carro, foi preso, usava drogas, mas eu o amei e fiquei com ele quando ninguém mais o fez. Vi as marcas que os policiais deixaram nele e chorei. Minhas amigas hoje são ainda mais amigas. Ele foi embora pra Joinville, voltou três anos depois e, quando eu o vi, eu realmente só não morri porque viver pra estar com ele era o que eu queria. Larguei tudo e fui. Faz quatro anos que eu não o vejo. Sei que ele está casado, mas vou guardar a última coisa que ele me disse, por mensagem, antes de perdermos o contato: "não deu de passar na tua casa antes de vir embora, mas estaremos sempre juntos em pensamentos". Fiquei anos remoendo o que ele não sentia por mim, mas ele sentia. Saudade é uma coisa que dói. Perfeito pra mim - sim pra eu chorar nos 29/06 de todos os anos e quando ouvir CPM22.

5) Caso Willian: Como o José era louco demais e não estava “nem aí” pra mim, conheci o Will, mais conhecido como Piu. Não se podia dar um piu que ele se “finava”. Foi aquela namoradinha inocente. Íamos ao grupo de jovens juntos. Quase morri quando ele foi estagiar e chorei uma madrugada inteira quando ele terminou comigo em um baile de formatura. Ele foi pra Lages, formou-se em agronomia e, agora, largou tudo pra seguir uma filosofia de vida japonesa, que tem um nome difícil demais até pro Google. Passamos a última virada de ano juntos e eu pensei: perfeito pra mim - sim pra eu o ter como amigo.

6) Caso Sander: Sanduxo foi um cara importante. Alto astral, mas bravo. Foi muito fofo nosso lance. Fiz música pra ele e ele quase derreteu. Fazias as coisas mais lindas pra mim e por mim. Saímos do grupo de jovens, entramos no curso de dança gaúcha e dançamos muitoooo. Depois, foi a vez de o nosso romance dançar. Eu não fui feita pras coisas fáceis e simples como era nossa história. Hoje olho triste pra trás, porque ele era um cara que sabia me fazer feliz. Atualmente, ele está namorando, noivo ao algo do tipo. Não conversamos porque “a moça” é ciumenta. Mas sempre que ouço música gaúcha e não tenho com quem dançar, penso: perfeito pra mim - sim pra ser meu par.

7) Caso Guilherme: Seis meses depois de ter visto o José pela última vez, "encontrei" o Guigo, um menino 5 anos mais novo que eu. E sabem o que eu pensei? Quero ficar com ele. Eu ainda penso isso à vezes. Foi a coisa mais bonita e pura que eu já vivi. Foi entrega. Foi espera. Foi vontade reciproca em tudo. Foi, foi e acabou não sei por qual dos tantos motivos. Mas eu ainda acho que nós tínhamos o maior motivo pra ficar juntos: gostar-se ou amar-se, talvez ele não goste muito do último verbo, mas era isso, era amor. Hoje, trocamos palavras no msn, somos amigos e já fomos mais. Acho que eu o perdi enquanto ele me perdia. Mas eu, como sempre, não tenho vergonha de dizer que o amo. Perfeito pra mim - sim pra eu guardar onde deve estar.

8) Caso Fernando:Nando veio depois, no bus da facul. Mais tímido impossível. E, quando ele falou que tocava violão, eu pensei: "achei quem eu procurava!". Mas, foi lance rápido, ela ia lá em casa, ele tocava uma viola, eu cantava e ele até me convenceu a tocar uma de minhas músicas. Mas, na primeira vez que ele disse "não vá", eu fui. Não nasci pra ser mandada e nem ele pra não ser "respeitado". Depois disso, ele me salvou do incêndio no bus da facul, jogou-me janela à fora e fui embora com minha tal liberdade. Ele lia meu antigo blog e gostava muito. Parece que casou com uma mulher alguns anos mais velha que ele. Perfeito pra mim - sim pra eu dizer que "vou" e simplesmente ir.

Outros vieram, passaram e, talvez, tenham marcado de alguma forma. Se esqueci de alguém foi porque não foram importantes a ponto de eu pensar: "perfeito pra mim".
E hoje, aos 25, com a mesma altura e um pouco mais de segurança, eu fico pensando no que é perfeito pra mim, porque eu sou tão imperfeita.
Mas, quando me olho no espelho hoje, não apenas me olho, eu me vejo. E isso muda tudo, porque, do avesso, eu até que sou bem bonita e visto tons de todos os estilos.
Tom de carinho, de riso, de melancolia, de alegria, de um querer bem a tudo e a todos.
Então, fecho o zíper, apago a luz, tranco a porta e vou trabalhar na esperança de que, ao cruzar a rua, eu possa novamente pensar: "Perfeito pra mim!" ou pelo menos saber traduzir essa perfeição.

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Peço desculpas por citar nomes sem autorização, mas o amor me permitiu.
Obrigada por me transformarem no melhor que sou hoje quando comparada ao ontem.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Por amor, por você.

TE AMO, MINHA VÉIA!


Vim ao mundo como um brinquedo dado fora de época. Se fosse a uma criança, ela não se importaria, mas adultos são desconfiados. Meu dono nunca quis brincar comigo – por ironia ou simples cumprimento do purgatório, hoje ele não tem com quem brincar – e minha dona até brincava, mas com um tom de obrigação, eu parecia ter me tornado a única opção. Foi a mãe de minha dona quem me fez entender que eu não era, de fato, um brinquedo. Ela não disse nada, apenas me ensinou a ser humana.

Hoje vejo que foi estranho – e, sobretudo, necessário – viver naquela casa, “só tinha teto, não tinha nada”. Banhos? Em banheira de alumínio. Ir à escola? De carroça. Pai? Todo aquele que parecesse homem. Amigos? Os que eu inventava. Brincadeiras? Correr pelas roças de fumo (magnata!!) e oferecer, a invisíveis, o lodo endurecido das poças como se fosse chocolate (ou parecia muito ou eu pouco conhecia chocolate). Ainda bem que a “comidinha” não era de “mentirinha”.

Eu morava lá onde o diabo já tinha perdido tudo, não tinha com quem brincar e, desde lá, passei a admirar a arte de viver só. Eu nem cresci, nem perdi o ar de criança – mas hoje ela dança.

Lembro de poucas coisas da minha infância, mas não posso esquecer do meu desejo de ter uma barbie. Um dia, aquele que dizem ser meu pai me levou uma, mais falsa que as Prada da 25 de março. Nem sapatos a pobre coitada tinha. Não foi lá aquela alegria, mas para quem não tem nada, o pouco basta?

Tempos depois, ganhei uma de verdade – e com sapatos, óbvio!! Brincávamos as três, eu, ela e a “feita de ar”, mas quem não tem uma amiga vazia, não é?

A pobre da “normal” teve como namorados: um palhaço feito de pano, um lápis de cor, um Papai Noel (hohoho), menos o tal do Ken (quem?) – qualquer semelhança com meu presente será mera coincidência. (tá, os meus não são de pano!).

Depois que alcancei a idade que a gente finge não ser mais criança e brinca escondida (até um colega da escola aparecer de surpresa na janela e ver o circo montado na sala, né?), eu e a Thalia – esse era o nome dela – assistíamos a todas as Maris da vida: Mari Mar, Maria Mercedes, Maria do Bairro. Ela não perdia um capítulo.


Fomos “crescendo” e ela cortou os cabelos na esperança de que voltariam a crescer e, quando fazia frio, usava o vestido da amiga falsa, mas não servia muito bem, afinal a sem sapatos era brasileira e a Thalia..., se é que vocês me entendem.

As danadas crescem mesmo, tornam-se independentes. A Thalia calçou os sapatos rosa, vestiu o macacão florido e partiu – também meu coração. Não estamos preparados para perder e isso a gente somente aprende quando temos algo para perder... e o perdemos.

Quando se é criança, os sonhos giram na “ciranda material”, do pagável, do comprável – talvez não por quem sonha, mas por pessoas como eu e você. Difícil é se ter o que o dinheiro não compra, como trazer de volta pessoas como aquela que me fez deixar de ser brinquedo e me ensinou que, depois da tempestade, eu posso colorir um arco-íris só pra mim – e pra quem quiser vê-lo também (SAUDADE, minha véia!).


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Escrevi esta história para participar de um "lance" da empresa onde trabalho. Fui umas das escolhidas e fui premiada com uma linda barbie e com sapatos, como pode ser visto. Valeu, Betha!! Resgatei-me!!


sábado, 23 de outubro de 2010

Eu me permito...

Eu me permito imitar a perfeição e abusar do coração
Me permito iniciar frases com pronomes e não ser chamada pelo nome
Me permito acordar de mau humor e dormir com insônia
Me permito quebrar a rima e "ficar" sem clima
Me permito ignorar o que você sabe e não ser covarde
Me permito saber o que você não sabe e falar a verdade
Me permito parecer o que não sou e não dizer aonde vou
Me permito ser o que ninguém vê e assistir a TV
Me permito chegar sem avisar e simplesmente ficar
Me permito ir sem me despedir
Me permito errar até sem querer acertar
Me permito brigar contra o injusto e usar vestido justo
Me permito dançar nos dois sentidos e não ter entendido
Me permito ser ignorada e mal amada
E a fazer o mesmo no próximo ensejo
Me permito rir alto e andar de salto
Me permito acreditar no humano ainda que, a cada ano, torne-se mais difícil
- acreditar -
Me permito aceitar as diferenças e não ter crenças
Me permito amar e odiar com a mesma intensidade - e "tansidade"
Me permito ser simples nos atos e complexa em fatos
Me permito esquecer uma data, não sem que isso faça a culpa aparecer
Me permito ser alguém como você - que me lê
Mesmo sabendo que posso ser melhor do que isso que nos tornamos
E você? Talvez...
Me permito mentir e fingir que era verdade
Me permito sentir saudade
Ter vaidade? Também...
Me permito morrer e não correr - do inferno
Me permito fugir, mas não desistir
Me permito escrever o que ninguém lê e ainda querer você
Me permito pedir perdão e jurar em vão
Me permito mudar sem deixar que os outros se mudem - pra longe de mim
Me permito estar aqui ou em qualquer lugar
E vazar quando esse ou aquele não mais me couberem
Me permito estar do seu lado mas, nem sempre, ao seu lado
Me permito lutar por quem mereça brigar
Me permito o silêncio quando nada mais existir pra calar
Me permito a ausência quando a minha presença não for mais presente
Me permito romper contratos e cometer certos atos
Me permito ignorar a regência do verbo permitir
Porque só ele me fez conhecer o que rege meu coração:
PERMITIR-SE

***
Dona Troiana em seu texto sem reticências ou ponto final

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Last song

Foi num verão que eu vi a cena mais romântica da minha vida, embora não fosse por mim enceNADA. O ano? Talvez 1997. Ela parecia surreal demais pra ser verdade.
- Estão tentando imaginar minha idade? Nem precisa, tinha lá meus 12 anos (agora estão calculando minha idade atual? Não ocupem os dedos do corpo inteiro com isso, é 25 o número pelo qual procuram) -
Agora quem está fazendo cálculos sou eu mesma: 13 anos se passaram e lembro dela perfeitamente: era praia, mar engolindo o horizonte e um casal brincava à beira dele. Podem imaginar a música que quiserem, eu apenas ouvia os risos intraduzíveis - que melodia!
Talvez a pouca idade me tenha feito prometer que viveria algo semelhante - até vivi, puramente ficcional.
Mas, hoje, com toda imaturidade "relacionamental" que a vida me proporcionou, começo a pensar no que faz as histórias de amor serem grandes? O tempo, os desafios, a distância, os contratempos ou simplesmente o sentimento?
O tempo traz rotina, os desafios fortalecem, a distância une, os contratempos, por vezes, separam, mas e o sentimento? É possível sobreviver aos demais itens se ele não existir, se ele não for a razão de tudo? E um sentimento sem superação e aprovações é capaz de sobreviver e de se comprovar? Queria tanto poder responder, mas não posso, porque não sei a resposta, porque não tenho experiência suficiente pra fazê-lo.
A cada dia, vejo mais distante a possibilidade de saber a resposta.
Tive somente uma chance pra viver uma cena daquelas e eu disse: "Não gosto de banhos de mar!!!". Não se trata de remorso, nem de arrependimentos, o leite derramado já secou e minhas lágrimas também.
Apenas sei que hoje (20/10/2010), ao abrir a janela do local onde trabalho, alguma coisa naquele vento que soprava me fez lembrar daquela cena. Olhei para o lado e vi um horizonte sujo de prédios. Não havia casal algum brincando, só havia um amor perdido que, não literalmente, dançou e, depois de nadar, morreu na praia.


Cordialmente,


Felicidade em Dia Triste
Estagiária do Amor

sábado, 16 de outubro de 2010

Ficar pra semente

Costumo começar posts dizendo: "tenho pensado nisso", referindo-me ao título que dou a postagem. Desta vez, porém, proporciono-me o inverso, afinal ainda não estou louca suficientemente pra pensar em "ficar pra semente".
Eu tenho pensado, na verdade, em coisas que não me fazem querer eternizar essa vida - talvez apenas a existência que ela representa. E nem é por conta da violência, das drogas, da política, etc., é porque percebo que não temos nos tornado pessoas melhores, não estamos evoluindo tanto quanto a tecnologia - a não ser que sejamos todos robôs e ninguém me avisou.
Está na fala, sobretudo no tom, no olhar, sobretudo, no desviar dele: tudo tem soado maldade e isso me cansa.
Sempre cuidei para que as coisas que eu escrevo não parecessem lição de moral, porque essa também é uma das coisas que me cansa. Pessoas gostam disso: ser maldosas e dar lições de moral.
No trabalho, eu fico o dia inteiro corrigindo pessoas e dizendo a elas o que é certo e o que é errado e, embora, o português seja uma língua realmente complicada, é muito mais fácil do que dizer o que é certo ou errado na linguagem da vida e fazer com que isso valha pra todos. Qual é o padrão? Qual nossa norma? A Bíblia? E quem a tem lido? Eu nunca a li, se não para responder àquelas perguntas da catequese.
O fato é que, pra mim, a Bíblia está para a linguagem do mundo como a Gramática está para a língua portuguesa: cometemos pecados, equívocos, deslizes, enfim, não seguimos a norma. Quanto ao segundo livro, usa-se como justificativa: a falta de estudo e a consequente ignorância e o fato de ter muitas regras e ainda mais exceções. Eu também faço uso dessas e de outras “desculpas” quando não sei responder se vai crase ou não. Nem me envergonho disso, eu sou aprendiz.
E quanto ao outro “livrinho”, quais são as justificativas que usamos para não seguir às regras? Ignoramos o conteúdo dele? Eu nunca li, mas devo saber, pelo menos, uns 70% das regras nele impostas – porcentagem que supera meu conhecimento gramatical. Nunca ouvi alguém dizer que não aplica a regra da Bíblia porque não sabia, nem tão pouco porque são muitas. E, neste caso, exceções, pra mim, são aqueles que, assim como eu, não são hipócritas, não dizem uma coisa e fazem outra, não julgam, não... ou melhor, fazem tudo isso perante aos olhos de todos e se assumem. Está bem aí a falha, a peça que tem defeito, que não nos permite avançar: a coragem – de assumir que somos humanos errantes, fracos, perdedores, maus, magoáveis, perversos, invejosos, etc. É isso que nos falta: cara e coragem para expor o que há de menos belo em nós. E é por isso que não quero nem sonhar em “ficar pra semente” num chão como esse que tem germinado frutos tão podres como os chamados de humanos.
Não estou criando regras, pode até parecer julgamento e lição de moral, mas, se for, será pra mim e não para o restante dos roBÔBOS que habitam o planeta tERRA.
Quanto à Bíblia, apenas uso uma justificativa: não a uso e, sim, vai ponto final.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Procura-se um amor de estação

Postado em 25 de fevereiro de 2009.

Procura-se um alguém que tenha sobrevivido a última estação, que tenha caído na real e não na minha mão.
Procura-se aquele que queira agora cair na irrealidade mágica de uma paixão e, talvez, na minha mão.
Procura-se alguém que queira simplesmente deixar de ser um alguém para tornar-se o alguém.
Procura-se aquele que sinta, no ato, a soma dos corpos, a divisão de entrega, o mar de prazer que é mergulhar no outro.
Procura-se alguém intenso e não, apenas, tenso com o dia a dia.
Procura-se aquele que goste de contar história e de ouvir algumas poucas e boas... Mas, se o silêncio couber... procuro por aquele que o sabe ouvir.
Procura-se por um colecionador de folhas de outono - alguém que por abandono cultive seu próprio jardim.
Procura-se alguém que queira chorar - de rir - ao me ver chorar em finais (in)felizes de filmes (legenda: inglês, audio: inglês); mas, se o alguém quiser me convencer de que podemos protagonizar o nosso... procuro por este alguém.
Procura-se aquele que saiba rir dos próprios erros e que deixe alguém secar suas lágrimas quando elas surgirem. E, se ele me abraçar enquanto eu soluço, procuro por este.
Procura-se alguém que tenha sentimentos bons e pensamentos malignos. E, se ele me convidar pra passear nos jardins do seu pensar, procuro por este alguém.
Procura-se alguém que possua um corpo, uma mente e um coração que caminhem juntos... explorados ao mesmo tempo.
Procura-se aquele que leva um violão às costas - pra mim ou pra ele. Que nossa risada quando somada seja a mais perfeita melodia noite e dia.
Procura-se alguém que peça colo e que faça dele sua moradia.
Procura-se alguém pra se viver uma ou duas eternidades, mas, se for uma estação, que volte quando sentir saudades.
Procura-se alguém com fé e sem religião; com opiniões livres de julgamentos e preconceitos.
Procura-se alguém pra me amar durante uma estação e, se, no verão, ele ainda quiser ficar, decreto encerrada essa divisão e, a partir de então, abro espaço ao calendário do amor. E tudo vai acontecer ao mesmo tempo: flores, gelo, pétalas em torno do teu abraço, folhas colhidas em nosso espaço, vento e brisa.
Procura-se aquele que por uma estação fará de mim uma flor que sobreviveu a última estação.


Procuro você, que não me lê, mas sente em suas entranhas as estranhas doses da minha palavra.
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Procuro ser o mais fiel aos meus desejos insanos. Não por engano, o amor é o que mais procuro, só ele une o que nasceu descombinado.
Procuro alguém em quem pensar antes de dormir.


Alguém que ame o livre amor...

domingo, 3 de outubro de 2010

Sem passado

O passado tanto serve para nos tornar quem somos quanto para nos impedir de ser alguém diferente. Depende de quem faz as escolhas e de quais opções se tem.
Mas, quando conhecemos alguém, depois das perguntas básicas do presente, vêm as não menos básicas sobre o passado e talvez seja aí que surjam os primeiros ciúmes, algo do tipo: "onde eu estava enquanto ele(a) vivia tudo isso?". Onde mais que não em seu próprio passado?
O problema, que nem era para ser problema, piora quando se trata do passado composto da vida desse alguém, sobretudo, quando o passado pede, ao presente, que se torne futuro.
Você fica ali parado como se assistisse à vida do outro pela TV e, então, percebe que, no último capítulo, alguns casam, outros nascem, festas são dadas, mas você não está mais lá, nem como coadjuvante. E sabe por quê? Porque você estava em outro passado quando se previu que esse seria o final. E o passado dessa pessoa serviu para que ela se tornasse quem é e a impediu de viver algo diferente. Não se trata de maldade, são opções e depende apenas dela escolher. Talvez você fosse a C ou a B ou Nenhuma das Alternativas Anteriores. Quem sabe? Nem quer dizer que a opção marcada seja a mais correta.
Não se deve ficar triste quando isso acontece, porque, um dia, será passado – será? –. E, enquanto esse dia não chega, você pega o controle remoto e até tenta trocar de canal, mas todos exibem a mesma coisa: a rotina de quem fica – de fora – comparada a de quem segue.
Eu que tenho esse coração mal educado, ignorante e fraco, já me engasgo só em pronunciar “despedIDA”, mas quantas vezes tive de dizer adeus, segurando-o nas mãos. Ele pode ser tudo isso, mas é bom: não se amarga, não se envenena e não deixa morrer, no passado, quem, um dia, foi um presente tão bem recebido.
Não era pra ser problema, mas como se parece com um. Talvez porque seja algo que precisa ser resolvido.
Não cabe raiva, julgamentos, nem culpas na minha bagagem, porque o meu passado já pesa muito e vive me pedindo para se tornar futuro.
Mas, que dá vontade dá, de conhecer alguém sem passado e poder escrever, para ele, um futuro a lápis. Um dia, eu me apago e lhe devolvo o poder de escOLHA.

Perfeito não? NÃO!!


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domingo, 26 de setembro de 2010

Estar junto

2010: Continua valendo pra mim, mesmo depois de tanto tempo.

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2008: Há muito tempo, um certo alguém muito especial me perguntou: “O que é estar junto pra ti?”. Ele era tão importante, naquela época, que não consegui dizer nada. Fiquei tão "puta" por não ter respondido que aquela pergunta ficou matutando na minha cabeça, até que nasceu um dos escritos menos subjetivos que já fiz. Estou falando disso porque tenho me perguntado sobre estar ou não junto e, ao reler o texto, percebi que nada mudou, ainda vejo que estar junto tem mais a ver com estado emocional e sentimental do que civil. Nem sempre perto, mas junto...
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2006: Estar junto...

Entre a distância e o afago há, além de tempo, uma intensidade de sentimentos... Ainda assim acredito que estar junto é:
Enxergar a vida com olhos dobrados, ouvir as palavras em um eco, caminhar, mesmo que sem destino, sentindo passos que lhe acompanham.
Ao contrário do que muitos pensam, estar junto não é sorrir a desconhecidos naqueles intermináveis domingos de família, mas pode ser um sorrir a dois, um sorrir sincero que só quem recebe sabe o verdadeiro valor.
Estar junto não é trilhar caminhos de mãos entrelaçadas, com olhos por todos os cantos a observar, vem ser, em um segundo apenas, um olhar intenso, de canto a canto do sentir.
Não é ouvir belas palavras, mas ouvir aquelas que precisamos e fazer do silêncio uma resposta.
Prefiro não acreditar que pessoas mantenham aparências para sentirem-se juntas, se o que vale é a transparência, aparentar não é estar (junto)...
E quando fico a mirar o céu, lá do alto, eu estou junto, porque te trago comigo, te carrego sem ao menos reclamar tua ausência. Fecho os olhos e, logo, ali estás...
Estar junto é entender o caminhar alheio, aceitar o tamanho de seus passos e nem sempre seguir suas pegadas. É respeitar...
Estar junto é querer bem, é sentir saudades, é imaginar sombras, é ter visões, é um abraço na volta, um beijo na despedida, repetidas vezes, porque, quando se está junto, não há limites, nem regras e, se houver, são rompidos e quebradas, não por contrariedade, mas por simples necessidade de um minuto a mais.
Não é prisão, não é isolar-se, nem é preciso abrir mão de nada, porque estar junto é libertar-se de males, é ter em suas mãos muito do que se precisa pra viver.
Estar junto é muito mais do que uma condição, é intenso quando é real, é alegre quando se torna inevitável, é triste quando algum dia deixa de ser.
Abro-me em palavras porque sinto que nelas flutuo, meu olhar não te engana, não te pede nada, tão pouco te implora. Minhas palavras tal como um complemento a tudo que vês em mim, vêem mostrar um algo a mais do meu querer.
Na areia, no frio nublado, no sol radiante, se a lágrima correr ou aquele sorriso nascer, eu estou junto, porque fui despertada de um sonho tão louco quanto esta realidade.
Para estar junto é preciso permitir-se um tempo, aceitar a distância e render-se ao afago. Sobretudo, é apenas um querer...
MACIEL, Milene Batista – 12/02/2006 – 22:50
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2008: Então, ainda é assim que as coisas funcionam...
2010: Sim, ainda funcionam assim...

by troiana22

domingo, 19 de setembro de 2010

Perdida e salva

Há muitos motivos que nos levam a olhar para a vida de outras pessoas: curiosidade, inveja, admiração, falta do que fazer, tendência, cultura ou, talvez, falte-nos algo de melhor pra olhar em nossas próprias vidas. Eu já usei todas essas justificativas para deixar de olhar pra mim e olhar para os outros. Mas, dependendo da forma como se olha, com ou sem veneno, essa olhadela pode até ser positiva.
Quando estou caminhando por aí, tão apressadamente quanto os demais, pergunto-me: "qual é a pressa que motiva?".
Passo em frente às igrejas e...: "eles têm um Deus para acreditar".
Encontro caras usando camisetas de times de futebol, logo, eles têm por quem torcer, ainda que o time mais perca que ganhe, a torcida fica - a torcer.
Têm também os "camisetas do Nirvana e afins" e por que não dizer que eles tem alguém pra admirar? Ou alguma filosofia de vida pra dizerem que tem...
Viro uma esquina, encontro uma escola e, à porta dela, uma fila de mães esperando seus filhos e filhas. Elas têm de quem cuidar (e tantos outros verbos).
Gente apressada, levando seus notes, saltos musicando o asfalto. Crachás que pouco nos identificam.
Sempre leio os nomes de cursos das pastas que me cruzam, quantas provas por fazer ou quem sabe um TCC?
Vejo ali, próximo a MIm, um casal que num embate ao final do dia, logo me bate o coração: sim, eles têm a quem amar, de quem sentir o mais miserável dos ciúmes, por quem podem manifestar as maiores caretices e "breguices" do romantismo. Eles podem porque querem ou porque não puderam dizer não. E o fazem descaradamente como quem diz: "viu viu, você não quis..."
Não olho mais nada disso com inveja, apenas com leve curiosidade, nem tudo admiro, tenho muito o que fazer, sigo tendências e penso no que nos é imposto como cultura. Mas, não posso negar que a minha vida tem me despertado pouca atenção.
Eu nem sei qual motivo da minha pressa, corro por quê? De quê? De quem? Por quem?
Sigo apressada e calada, são meus olhos, sem veneno, que tudo observam num desespero de falar e calar a boca do coração.

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misstroiana

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

SEgUrAR

Se o ar não fosse tão pesado, seria possível voar?
Talvez... às vezes, eu não consigo sequer caminhar.
Não sei se é pesado ou SEgUrAR é que pesa ao nos carREGAR.
Se o ar fosse mais respirável, seria mais fácil sobreVIVER?
Talvez... têm coisas que eu sequer tento saber.
Afinal, pra que saber tudo hoje se as coisas podem mudar amanhã?
Eu sempre fui mais de perguntas que de respostas, não é?
Eu nunca fui sempre a mesma, fui?
Nem a única?
Se não o fiz foi porque não o quis - fazer.
Mas, de repente, o ar ficou mesmo intragável, como se me dissesse que já não pode mais me respirar.
Então fiquei a pensar que a culpa é nossa e, neste caso, minha: culpei o ar por um peso que não cabe a ele carregar.
SEgUrAR, na garganta, prende a nossa migalha de vida, a fátia de tempo que a nós foi cedida cria bolor.
Quem nos deu a deveria ter apenas emprestado e tomar de volta aquilo que pouco ou nada foi aproveitado.
Sempre acham que eu falo de morte.
Nunca entendem que é vida que eu clAMO, é ela que eu chAMO.
Se o ar pudesse amar, nos levaria a qualquer lugar. Mas, ele só faz respirar...
E você? O que faz além de SEguR...AR?

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SEMana SIMples.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A quem interessar possa

Esta poderia ser uma daquelas cartas que se deixa antes do suicídio, mas a voz que vos fala, cópia machadiana, já é morta.
Não é uma carta de despedIDA, porque meus pés já não me levam a lugar algum.
Nem poderia fugir, já sou fugitiva de mim há tantos anos e nem me policio mais.
E se fosse, não deixaria nada para trás, porque é isso o que eu tenho: nada.
E como se pode ser uma alma tão pesada quando não há o que se carregar? Talvez, por muito tempo, eu fui levada e, agora, só o meu peso já seja uma carga em tanto.
Eu sempre adiei felicidade, à espera de que a forma clandestina dela viesse e eu, assim como a menina, pudesse escondê-la, fingindo não tê-la pra, só então, tê-la novamente.
Eu tenho tido muito do que sonhei, muito do que prometi ser minha felicidade clandestina: trabalhos, situações, faculdade, momentos... dos quais eu falava: "quando eu tiver isso, vou ser a pessoa mais feliz do mundo". De qual mundo? De que mundo eu sou? Será que do mesmo que você? Eu lá sou pessoa?
De tudo que tenho tido e do pouco de felicidade que me trazem, posso dizer poucas coisas, mas a mais verdadeira delas é: eu consegui!
Resta ou falta, então, continuar buscando coisas que possam ser minha felicidade clandestina?
Falta coragem, eu sei, mas ainda não sei o que tenho de encarar. Eu sou uma criança sem sonhos, uma máquina sem comando, um ser sem destino... um sem o outro (seja lá quem for): não são sinônimos, não são analogias, isso não me serve, não me veste enquanto tento me despir.
E se eu não tenho tudo o que quero é porque não mereço nem o pouco que tenho. Sabe por quê? Já tá afirmando, porque faço disso um pouco, porque comparo e, assim, nada mereço. Nem os amigos, vestidos, talentos, inventos... momentos.
Se o mundo explodisse hoje, eu seria apenas mais um pedaço de carne voando.
Simples não?
Taí, voar talvez seja o caminho da minha próxima felicidade clandestina.
Morri sem ninguém - ver.
Eu morri, amém!!
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Não vou voltar à vida!
Não, vou voltar à vida!
Vou não, à vida voltar!
Não vou à vida voltar!
Voltar à vida? Não vou!
Não, à vida voltar? Vou!
E se a vida não voltar? Eu vou!

sábado, 10 de julho de 2010

How not to die

Como não morrer diante dos erros?
Dos mais simples aos mais complexos: quem os sabe classificar?
Uma vírgula esquecida, uma palavra repetida, uma crase perdida, uma sílaba não acentuada: imPERDOÁvel?
Uma data esquecida, uma desculpa repetida, uma hora perdida, uma pessoa não assentada: PERDOÁvel?
Como não morrer ao ver morto quem se quer vivo?
Como não morrer ao ver morrer quem se quer vivo?
Como não morrer ao se ver morrendo quem se quer vivo? - paulatinamente.
Como não morrer de rir com aquele amigo engraçado?
Como não morrer de vontade chorar ao se ver animais abandonados, velhinhos” sarjeteando” vida a fora, crianças agindo como adultos que agem mal - e odeio quando dizem que algumas pessoas vivem, às ruas, como animais, como se o fato de eles viverem assim fosse normal.
Como não morrer de tédio esperando o ônibus?
E como não morrer de medo de perdê-lo?
Como não morrer de saudade de quem vive - longe ou perto - mais distante?
Como não morrer de vontade de comer quando se está com fome? E isso vale para outras situações: sede, água do joelho, sono...

Como não morrer de desejo por um beijo?

Como não morrer por precisar de um abraço que não quer te abraçar?

Como não morrer de ciúme de seu melhor amigo quando ele começa a falar “demais” dos outros amigos? – antes que eles mesmos digam: homens estão excluídos desses casos (e de outros também)?

Como não morrer de inveja de quem tem o que se sonha em ter?

E como não morrer de orgulho por ter visto alguém conquistar o que sonhou?

Como não morrer por viver atrás das grades? (eu morro por você que aí está – AMO*)

E como não morrer ao ver alguém que não sabe usar a liberdade?

Como não morrer ao ver a cor do salário logo desbotar?

Como não morrer de tanto trabalhar?

Como não morrer ao final de um livro bom?

Como não morrer por viver assim sem tom?

Eu morro por tudo isso e “muitos maises” desses e de outros tipos.

Eu morro, com pena de mim, por tão mal viver à espera da morte.

Eu vivo, com pena de mim, por tão mal morrer à espera da vida e

De um “si”

De um “sin”

De um sinal.

PERDOÁ?

As contas estão pagas ou pagadas, o trabalho está em dia ou adiado, as roupas estão lavadas e secas e passadas e dobradas, e os móveis no lugar de sempre, e as cortinas cobrindo o restante da tarde, e tudo tem um cheiro de limpeza e tudo soa pura impureza. E eu? Como estou?

PERDOÁ?



quinta-feira, 27 de maio de 2010

A tragédia de ADA II - vida real

Quem me vê na noitADA pensa: "que retardADA!"
Quem me vê na manhã ensolarADA pensa: "que mal humorADA!"
Quem me vê na noite enluarADA pensa: "que tristeza exagerADA!"
Quem me vê correndo pela estrADA pensa: "que mulher exercitADA!"
Quem me vê junto à mulherada pensa: "ela é toda errADA!"
Quem me vê junto a homarada pensa: "ela só pode ser trocADA!"
Quem me vê a cada virADA - de ano - pensa: "ela não muda nADA!"
Quem me vê como namorADA pensa: "ela não nasceu pra ser casADA!"
Quem me vê andando apressADA pensa: "ela deve estar atrasADA!" - (e sempre "to")
Quem me vê sentADA na calçADA pensa: "meu Deus, que criatura largADA!"
Quem me vê de cabeça abaixADA: "parece arrasADA!"
Quem me vê apaixonADA pensa: "como ela está enganADA!"
Quem me vê escrevendo pro nADA pensa: "deve ser triste ser ignorADA!"
Quem me vê tocando violão adoidADA pensa: "que desafinADA!"
Quem me vê falando da vida passADA pensa: "ela é tão amargurADA!"
Quem me vê lendo de pé e escorADA pensa: "ela deve ser estudADA!"
Quem me vê tricotando na sacADA pensa: "ela é tão defasADA!"
Quem me vê toda amarrotADA pensa: "que mal arrumADA!"
Quem me vê toda arrumADA pensa: "deve ter sido sensurADA!"
Quem me vê calADA pensa: "vai dar uma chuvarADA!"
Quem me vê durante toda essa escalADA - vida - pensa - e tem certeza: "que azarADA!"
Quem me vê continuando a jornADA pensa: "que obstinADA!"
Quem me vê sozinha no cinema de madrugADA pensa: "deve estar encalhADA!" - e to também -
Quem me vê rindo assim do nADA pensa: "deve ter sido cantADA!"
Quem me vê dando uma risADA pensa: "deve estar engasgADA!"
Quem me vê aqui despenteADA pensa: "ela é tão desocupADA!"
Quem me vê em meio a despesa calculADA pensa: "ela é tão preocupADA!"

E quem não me vê, nem viu, não mais verá! Eu fui ADA e de tão perseguIDA, hoje to de saÍDA dessa vIDA .
ADA tá de IDA, talvez um dia, ela seja vINDA, se a vIDA não for fINDA.

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Eu sou bem assim, um pouco de tudo isso: frente e verso. E hoje queria ser aquela palavra segura entre dois colchetes.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Entendam como quiser, inclusive a prazo.

E o que isso tem a ver com o amor?

Estive pensando - por ter estado observando - que o amor é tão fantasma quanto minha SEGURAnça, tão desconfiado quanto minha ESPERAnça e tão confiado quanto essa CRIAnça - LEVAda! - que mora em mim. E elas nem se conhecem, embora me habitem. Eu sou o espaço vazio entre os cômodos e elas os incomodos da ausência. Vez ou outra, entram, alimentam-se, trocam bilhetes, banham-se, vão-se à rua, à casa alheia e por que não eu - ? - que fico "meia" sem conserto e, como efeito, desconcertada.
Bom saber que em outros tempos não fui lar, nem casa, nem mofo no vazio, já fui estrada e, ainda que desabitada, tinha o ar que me preENCHIA e o céu... de onde vinha aquela cor?
Todas que moram em mim hoje - conDOMÍNIO - têm seus gostos para o meu mais repleto desgosto. Uma ama aquele menino que se camuflaria se possível fosse. A outra já quer o olhar "sem medo" daquele que é tão ENTREgue e sempre à mão - não de graça, obvialmente, tudo tem um preço e eu pago, novidade, a prazo. Este último tem medo não, tão pouco preocupação e ela, quando ao seu lado, esquece que já existiu companhia melhor. Nem planos eles têm, apenas o presente lhes convém. E tem mais uma aqui, a mais perdida, mas a mais BO(nit)A, embora tenha perdido a beleza que é acreditar no sonho, no possível - e seria o amor uma possibilIDADE? - naquilo que não se pode tocar e, mesmo assim, sentir. Ela, a mais parecida com o que um dia eu fui, quer alguém além, não que seja o novo, o inaugurável nem o inIGUALável. Talvez queira ela, assim como quis eu um dia, ser tão de si a ponto de poder ser de outrem. Eu não consegui, mas creio que a esperança ajudará essa criança, hóspede, a lutar contra a segurança fantasma. Vá-se e um dia perceba que também fui eu, um(a) SOMbra que a falta de luz apagou.

Isso não tem a ver com o amor, mas tem tem um haver comigo (pagarei a prazo).

Sabem, dividir momentos com caras especiais e amar e admirar as coisas boas que cada um deles têm, a ponto de sonhar tê-los inteiros num só, faz-me feliz porque sinto que o gosto da vida não precisa ser amargo, pode ser recheado dessas e de outras coisas. Mas, não posso ser três, nem duas ou mais ou menos. Posso ser eu, brincando de pOUSADA enquanto o frio rePOUSA aqui.

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Saudades tantas eu estava de rascunhar.

troiana22